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Conta-me um Conto

Um sonho de encantar…
Hoje numa conversa habitual com uma daquelas pessoas encantadoras deste lugar, onde as pessoas se tornam mais velhas pelo caminhar dos anos arrastados pela vida e pelo pensamento cruel de se sentirem desprezados e desenraizados de suas famílias, este lugar a que chamam lar, mas onde o sentido da verdadeira palavra lar deixa tanto a desejar…
Diria lar de sofrer de pensar nos sonhos perdidos e deitados ao vento e espalhados sem que ninguém os acolha e os ouça apenas para fazerem sentido a uma vida sofrida e onde os anos ajudam a pesar mais o olhar, o sonho que se esmoreceu no olhar vazio do tempo e nas memorias que um dia fizeram a história duma vida.
Hoje uma destas "jovens" duma vida de viver, tirou da sua história de memórias uma história de encantar que passo a descrever com a fidelidade que julgo poder dar-lhe.
Ao subir das escadas ouvi alguém:
- São, menina São está aí?
- Sim diga lá que deseja, minha carinha laroca, quer a paparoca? Já vim cá espreitar mas estava a dormitar ou a "caçar ratos"?
- Eu a dormitar? Estava era a sonhar?
- A sonhar com quê, quer contar? Vá lá fale-me dos seus sonhos de encantar, mas espere que a sua paparoca esta aqui para lhe dar, hoje está boa, flocos com leite e adoçante vamos lá abrir a boca e mastigar.
-Está boa sim menina, hoje gosto não está amarga.
E lá continuou a D. Graciete a comer a sua refeição aconchegante da noite, com o olhar vazio no tempo e pensando Qui ça numa história, talvez a que a seguir iria contar
-Olhe menina a minha filha, quando era pequenita, tinha uns pijamas assim com um bolso e um bonequinho bordado nesse bolso, assim um cãozinho, um ursinho assim coisas sabe? Aquelas que se bordam nas roupas dos miúdos para ficarem mais alegres. A minha filha um dia perguntou:
-Mamã (sabe ela chamava-me assim de mamã), para que serve este bolso do pijama?
- Ah minha filha, esse bolso serve para guardares os sonhos e sabes minha filha (e colocando a mão onde possivelmente estaria o bolso, bem assim juntinho ao coração, e continuou) fecha assim o bolso (e fez o gesto bem ternurento e aconchegante pegando no casaco do pijama dela) para que os teus sonhos não possam fugir.
E sabe menina São, um dia ela chegou ao pé de mim e disse-me a chorar:
-Mamã os sonhos fogem não os consigo guardar.
-Então minha filha deixa-os ir, novos virão para dar lugar a esses e assim terás sempre sonhos novos e bonitos, não chores vais ver que todos os dias terás sonhos de encantar não precisas mais de os guardar.
Olhe menina São ela deixou de chorar e nunca mais guardou os sonhos no bolso do pijama com um boneco bordado, coisas de crianças menina São e coisa de mãe.
Lá ficou ela, a D. Graciete de novo com o olhar perdido no tempo, talvez a pensar que nunca teve um bolso num pijama onde pudesse ter guardado os sonhos dela para um dia serem reais e nunca poder estar num "lar" onde os sonhos não existem, apenas existe um vazio num olhar e um sonho de poder fechar os olhos descansados para sonharem eternamente em serem amados e terem um pouco de carinho e aconchego, uma ternura e um sonho quem sabe guardado no bolso do pijama encantado da vida da qual apenas resta um bolso pequenino da recordação …

 

Isa Silva - Cá está a minha contribuição com as fotos possíveis das minhas galerias :-)
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Sergio - ... e um conto que faz sonhar. Parabens, Anunciação Esteves
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lauramexia - gostei de a reencontrar no site e especialmente de a ver não só participar neste passatempo como escrever um conto para nós :) participei com as fotos que achei mais adequadas. um abraço.
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