Diacho da rapariga! Querem ver que ela anda metida com o diabo!? Não andava mas veio a andar! Dai a tempos, já meio esquecido o escureceu, ajudava a rapariga sua mãe, na lida de acomodar os recos (com vossa licença) quando se deu o seguinte incidente tenebroso. Os moradores mal deram fé do movimento desusado da aldrava das portas, correram desnorteados para fora das suas casas. Viram, então, a pobre mulher ali especada no meio da rua, de balde na mão, chamando solicita: re...co..., re...co..., re...qui...nho..., re...co..., re...co..., e a filha a correr desatinada na ânsia de apanhar os porcos e estes a distanciarem-se cada vez mais, à sua frente la para o meio dos montes. Veio a noite e o corpo varou-se-lhe de medo. Queria recuar mas não sabia por onde faze-lo. A escuridão naquele sitio fá-la, ainda, temer cair nalgum buraco, precipício ou sair da la um qualquer bicho e mata-la. A certa altura da noite um fumo muito negro começou a envolve-la, a tolher-lhe os movimentos e os braços e a aperta-la cada vez mais, enquanto uma voz estranha lhe martelava os ouvidos: "Sou teu noivo...! Escolheste-me...! Chegou a hora!" Desesperada a rapariga tentou resistir, gritar, benzer-se... Mas já não era senhora dos seus actos. Envolta na fumaçada. negra foi arrastada por entre aquelas fendas la dos buracos dos rochedos... Na aldeia não houve vizinho que dormisse naquela noite. Saíram todos os homens para o monte, bateram todos os cantos em busca da desaparecida mas nada de a encontrarem... Redobraram os gemidos da mãe... A casa encheu-se de gente, como se de um mortório se tratasse. Dizia-se: "Homes esta! Uma coisas assim nunca antes se viu!" E às escondidas da pobre mãe segredava-se maledicências, faziam-se mil conjecturas, etc..., Entre lamentos e suposições os dias foram passando... A mãe veste-se de luto. Passaram anos... O povo começa a esquecer o caso. Outras coisas ocupam, agora, a mente popular... Só a pobre mãe é que não se desprende do luto... Até que um certo burburinho chega à aldeia. Primeiro segredado de orelha em orelha pelas comadres, depois já dito à boca cheia.. Andava coisa ruim pelos fraguedos ao redor da aldeia... e palavra puxa palavra os pastores que por la passavam, foram tagarelando que era verdade, e que voltava a ser verdade, tanto assim, que peguilho que levassem para a merenda era vê-lo ir. Desaparecia como por encanto... Diacho da rapariga! Querem ver que era ela !?
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